Assim não dá... Ou dá?

27/02/2016 10:54

Com tantas peças-chave morrendo e ainda os providenciais sumiços e incêndios, fica difícil dar seguimento a processos de corrupção contra o PSDB, que acabam 'não vindo ao caso' e são sumariamente engavetados pela Polícia Federal, o Ministério Público ou a Justiça Federal.

Fernando Lemos está morto. Jornalista e lobista que fez fortuna no reinado de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), na condição de cunhado da ex-amante de FHC, Mirian Dutra, foi o responsável pelos arranjos que a levaram a se exilar na Europa, bancada na ociosidade pela Rede Globo e a empresa Brasif, de propriedade de outro amigo de FHC, sob o silêncio interesseiro dos grandes grupos de imprensa.

Está morto também Sérgio Guerra. Ex-presidente do PSDB, ele teria procurado o delator Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, para pedir R$ 10 milhões (valores da época) em troca do abafamento de uma Comissão Parlamentar de Inquérito contra a Petrobras, em 2009, no Senado. Costa garante que o dinheiro foi pago em 2010 e ajudou a bancar a campanha eleitoral tucana.

Morta está a modelo Cristina Aparecida Ferreira. Aquela que em 2000 foi assassinada em Minas Gerais e teria envolvimento com políticos, atuando no transporte de dinheiro de caixa dois entre Belo Horizonte, São Paulo e Brasília. O namorado foi apontado como culpado, mas se fala em queima de arquivo, pois Cristina saberia muito sobre o esquema do mensalão mineiro.

Paulo Renato Souza, ministro da Educação de FHC, também morreu. Foi ele quem confirmou ter ouvido em 1998, de Benjamim Steinbruch, presidente da Vale, a informação (denúncia?) de que Ricardo Sérgio de Oliveira, ligado ao PSDB, estava pedindo R$ 15 milhões (valores da época) por conta de sua intervenção no processo de aquisição da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) por aquela empresa. Paulo Renato morreu em 2011.

Sérgio Motta morreu lá atrás, em 1998. Ministro das Comunicações de FHC, Motta foi apontado como o condutor da compra de votos de parlamentares (R$ 200 mil cada, em valores da época) para a aprovação da Emenda Constitucional nº 16/1997, aquela que possibilitou a reeleição de FHC.

E Dimas Toledo, onde está? Esse foi diretor de Furnas no governo FHC e no primeiro ano de Lula (a pedido do PSDB) e teria montado um pioneiro modelo de financiamento político a partir daquela estatal de energia, responsável hoje por 17 usinas hidrelétricas, duas termelétricas, três parques eólicos, 24 mil quilômetros de linhas de transmissão e 62 subestações. Pois esse portento de empresa, segundo a denúncia, distribuiu R$ 39,9 milhões (valores da época) a 156 políticos, a maioria tucanos, sob o comando de Dimas Toledo.

E de Ricardo Sérgio de Oliveira, alguém tem ouvido falar? Ele é o autor da famosa frase "Nós estamos no limite da nossa irresponsabilidade", pronunciada enquanto era diretor do Banco do Brasil, nomeado no reinado FHC, referindo-se às concessões feitas pelo banco durante o chamado Leilão das Teles, em julho de 1998. Esta história está no livro "A privataria tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Junior.

Agora mais essa: todos os documentos da Brasif, a empresa que fez o tal contrato fajuto com a Mirian Dutra, teriam sido destruídos num incêndio ocorrido no dia 3 de outubro de 2014, dois dias antes da eleição presidencial vencida por Dilma Rousseff. O material estaria no depósito da Memovip Guarda de Documentos Ltda., em Contagem, Minas Gerais.

Assim não dá, mas tem de dar!