Bem-vindo, seu Barbosa

15/02/2014 13:53

Em 28 de novembro passado defendi que o atual presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Barbosa, largasse a sua vistosa toga e viesse aqui para a planície, candidatando-se a um cargo público. Segundo reportagem publicada neste final de semana, Barbosa teria dito 'que já chegou a hora de sair', confirmando assim as antigas especulações de que seu principal objetivo de vida era mesmo a política e, nesta, quem sabe?, a Presidência da República. 

 

Bem-vindo à planície, seu Barbosa. A este campo aberto onde habitam os reles mortais, seres comuns, despidos da impunidade que protege alguns dos poderosos togados do STF, em especial aqueles que extrapolam de suas funções. Agora, sim, os seus atos e desatinos enquanto ministro daquela Corte; a sua personalidade exótica; o seu comportamento público ― e até privado, por quê não? ― poderão e serão trazidos ao amplo conhecimento e julgamento público, como ocorre com todo aquele que ingressa na política.

 

Para começar, repito o que escrevi naquele 28 de novembro: suas atitudes (e a de seus coadjuvantes, por ação ou omissão) se assemelham às daquele personagem emblemático da mais recente obra-prima de Quentin Tarantino, o Stephen, brilhantemente interpretado por Samuel L. Jackson. Stephen é o eixo do filme Django Livre (Django Unchained), encarnando a figura humana mais desprezível que possa existir, aquela que se põe a serviço dos históricos algozes de sua raça e origem social, fazendo isso com maestria, inteligência e, principalmente, crueldade.