"Centros" em choque. Estertor de uma era

10/01/2015 13:43

A partir do ataque sanguinário ao jornal Charlie Hebdo, em Paris, desencadeou-se em todo o mundo um debate caótico, em que se misturam ignorância, hipocrisia, conveniência.

 

Todos em busca de obter algum lucro — indevido, é claro!  — da tragédia que atingiu não apenas jornalistas, mas também policiais e muitos anônimos.

 

A publicação em questão, é bom que se diga, não era oráculo de nada. Na medida da capacidade intelectual de seus colaboradores, apenas exercitava a liberdade de crítica a tudo e todos. É o que testemunham aqueles que a conheciam.

 

Dizem os críticos que enfatizava, de forma indevida, a religião muçulmana, enquanto seus defensores alegam que igualmente ridicularizava as demais religiões...

 

E tudo parece se resumir a uma questão de pesos e medidas, quando na verdade estamos diante de mais uma eloquente demonstração dos tempos que vivemos.

 

Não nos deixemos envolver pelas paixões. O que está acontecendo é o estertor de uma era; o choque de um neo-humanismo que se dissemina a partir dos mais modernos centros da civilização, encontrando no caminho a resistência dos centros mais atrasados.

 

E quando falo em 'centros', refiro-me não apenas às questões da geografia, mas também e principalmente às estruturas cerebrais que comandam os sentimentos humanos.