Como lidar com fascistas (*)

28/08/2017 10:43

Minha companheira Silvia frequenta há tempos o espaço de Comentários de um influente portal de notícias da mídia convencional.

Ontem, domingo, andando na praia, ela me contou em detalhes como tem obtido sucesso no trabalho de desconstrução de um sujeito raivoso que frequenta o mesmo espaço, nunca batendo de frente com as agressões por ele postadas (as quais, ela diz, há muito tempo deixou de ler), mas apenas desmascarando o alias, o falso personagem encarnado pelo referido indivíduo.

Como, assim?

Bom, quando ainda se dava ao trabalho de ler e se indignar com os posts do sujeito, imputando ao Lula, ao PT e à Dilma todas as desgraças passadas, presentes e futuras do Brasil, ela percebeu que o conteúdo e a forma desses comentários não correspondiam ao perfil autoatribuído pelo tal personagem.

Concluiu que uma pessoa da faixa de idade à qual dizia pertencer não teria aquele repertório de informações (mesmo que expostas de uma forma distorcida) e muito menos utilizaria aquele tipo de vocabulário.

Apostou nessa impressão e passou a ridicularizá-lo, questionando exatamente esses dois pontos: repertório e vocabulário. Ou seja, expôs a falta de caráter do sujeito, desacreditando-o nos seus próprios termos, quais sejam, sua pregação moralista e ética.

Resultado: nos tempos em que esse personagem atuava livre, sem questionamentos, seus raivosos comentários alcançavam mais de 2.000 likes dos incautos leitores. Depois que ele passou a ser contestado por minha companheira (e por inúmeros outros frequentadores que a ela se juntaram) os likes do sujeito não passam de 20, 30, 40. E olhe lá!

As novas redes sociais eletrônicas são a grande novidade no campo das relações humanas, mas é preciso saber usá-las. Você não combate o fascismo com covardia, mas também não o vencerá respondendo a violência dos fascistas com mais violência (embora isto seja extremamente tentador). O fascismo é principalmente uma falsa alternativa de poder e suas práticas e símbolos são, por isso mesmo, ridículos e contraditórios.

Assim, a melhor arma para combater o fascismo é desprezar suas agressões, desqualificá-las, ridicularizá-las por suas incoerências à vista de todos e de uma maneira que todos entendam. 

(*) Contribuição ao livro "Como conversar com um fascista", da filósofa Márcia Tiburi , que recentemente também deu esta entrevista:  "O fascismo e o ridículo andam juntos