Covardia, a pior das omissões

23/11/2016 07:02

A omissão se realiza através de três estados: pela ignorância, pela conveniência, pela covardia.

Ignorância é uma condição superável, como todos sabemos. Mesmo nas sociedades mais fechadas e reprimidas; ainda que não se tenha instrução formal, sempre foi e será possível buscar e achar fiapos de informações capazes de iluminar um caminho para o conhecimento. Da mesma forma que nosso organismo se acostuma à escassez, tirando do pouco consumido o necessário para o sustento do corpo, desse mesmo modo atua a mente humana.

Quando estamos atentos, poucas palavras e gestos bastam para percebermos a realidade que nos cerca. O entendimento mais amplo vem com o tempo e o aprofundamento das observações de cada um. Ignorar, apenas, não é justificativa para um estado permanente de omissão, a menos que se trate de pessoa mentalmente incapaz.

Omitir-se por conveniência é uma questão moral. Implica em escolha feita a partir de interesses particulares e por isso egoístas. O sujeito que assim se omite ao menos sabe que assume seu lado e seu risco. Omite-se porque quer preservar ganhos e prestígios, e há de saber o preço a pagar quando a direção do vento mudar. Esses têm sua ousadia, mas na verdade cometem um lento suicídio.

Já o covarde é, de longe, o pior dos omissos. É aquele que sabe, compreende, tem os meios e as oportunidades para manifestar sua contrariedade face às injustiças e aos crimes que cotidianamente presencia, constata, mas se cala e segue medíocre, pequeno, sub-humano. Este se ilude, pois abre mão de um dos maiores prazeres da existência da espécie, que é a consciência de ser cidadão do mundo.

Faço essas considerações a propósito do magnífico artigo "O carnaval dos animais", de Eugênio Aragão, subprocurador geral da República e ex-ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff, publicado originalmente no blog de Marcelo Auler. Há momentos em que agir com coragem é mais do que uma expressão de caráter, é um dever para com a História da civilização. Bravo!