Democracia direta

29/07/2013 14:34

Não pensar a partir das premissas colocadas pela comunicação globalizada é não só ignorância, mas também má-fé. No sentido da perfídia, mesmo; de uma real traição ao dever de pensar e agir conforme o que se pensa.

 

Dentre as proposições básicas deste novo momento da história da democracia está a possibilidade de mais cidadãos-usuários terem acesso ao poder de decidirem sobre o destino de suas comunidades e país.

 

A primeira questão que se impõe é a segurança desse processo, que haverá de ser muito mais aprimorada e confiável do que a praticada hoje pelos sistemas bancários e de compra online, por exemplo. A credibilidade dos mecanismos a serem utilizados na prática da democracia direta é condição sine qua non para a sua existência. E, para isso, certamente será preciso desenvolver-se mais e melhores algoritmos de encriptação, além de mantê-los em contínuo aprimoramento.

 

A segunda premissa é a necessidade de os cidadãos participantes terem acesso a todas as informações disponíveis sobre os temas em foco, bem como ao amplo debate de ideias em torno dos referidos assuntos, de modo a que possam formar suas convicções e fazer as suas escolhas livremente, segundo a consciência de cada um.

 

Na etapa em que estamos vivendo, quando o potencial do novo momento democrático apenas é esboçado nas ruas de vários países — Brasil, inclusive — , o que não se pode aceitar é que o seu valor venha a ser desqualificado, a prióri, por pessoas que gozam de respeito intelectual e poder de influência junto a parcelas significativas da sociedade.

 

Quando se trata de ignorância, ainda é possível buscar-se o esclarecimento da pessoa envolvida. Mas, se o caso é de má-fé e de reacionarismo, isto se torna inviável, pois estaremos diante da expressão de uma vontade. Nessas situações também não cabe tolher, impedir, censurar tais manifestações, mas combatê-las à luz da lógica e da prova de sua desrazão.