Espionagem

05/09/2013 14:27

As mudanças culturais de profundidade exigem amplas e demoradas discussões, mas, ainda assim, deverão ser submetidas a extensa consulta popular, com o uso das novas ferramentas tecnológicas.

 

A repercussão negativa, nas redes sociais, diante da revelação de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em Inglês) espionou a correspondência eletrônica da Presidente do Brasil, está empurrando as autoridades brasileiras a tomarem medidas diplomáticas enérgicas frente aquele país.

 

Estivéssemos numa outra época, onde vigoravam as mídias impressas (jornais e revistas), esse caso estaria fadado ao esvaziamento, em decorrência da lenta dinâmica reativa imposta pela espaçada periodicidade desses veículos.

 

Nos dias de hoje, a repercussão aos fatos é imediata. Caótica num primeiro momento, mas tendente a organizar-se nos momentos seguintes, com a publicação na rede de análises e opiniões fundamentadas postadas por especialistas e lideranças dos segmentos envolvidos, o que alimenta novas e novas ondas de reações traduzidas em pressão sobre as autoridades.

 

Mesmo sem explicitar a pressão-apoio que recebia via redes sociais, vindo de amplos setores da opinião pública, acima de partidos e ideologias (não obstante suas convicções pessoais), a presidenta se viu respaldada e compelida a reagir, cobrando desculpas formais dos EUA — sim, porque não parece haver dúvidas quanto ao fato denunciado.

 

Este — a espionagem da correspondência eletrônica da governante brasileira — é um episódio emblemático das relações sociais nestes novos tempos. Entendê-lo e sintonizar-se a ele é uma exigência que se impõe a todos os gestores públicos e privados.