Junho de 2013

18/07/2013 14:37

Na esteira das manifestações de Junho de 2013, no Brasil, têm sido elaboradas análises com previsões catastróficas, assinadas por eminentes figuras públicas.

 

Publicadas nas páginas de influentes veículos impressos e/ou divulgadas pelos mais acessados blogs políticos do País, essas opiniões acabam por chegar às redes sociais, produzindo repercussões que servem aos mais diversos fins, muitas vezes conflitantes — nuns agregando argumentos em reforço à ideia-matriz; noutros, manipulando tais previsões catastróficas em favor de propósitos escusos, tais como o insuflamento do medo do desconhecido junto a segmentos desinformados da opinião pública.

 

Nada contra opiniões catastróficas — elas também fazem parte do processo histórico. Mas é preciso que sejam contrapostas, de forma sistemática, se possível, por análises, se não otimistas, ao menos balanceadas por diferentes perspectivas lançadas sobre o futuro que estamos a construir neste conturbado presente. Aqui e no mundo.

 

A meu ver, o erro fundamental dessas previsões apocalípticas — sendo a principal delas a que projeta a possibilidade da eclosão de uma “crise revolucionária” no Brasil — está em julgar o presente sob a ótica das circunstâncias que construíram o passado. Isto é uma coisa que não pode, não deve ser feita. Se o sujeito não tem a disposição intelectual-emocional de focar o presente e, nele, buscar as linhas que estão construindo o porvir, então que se abstenha de opinar, por um tempo, para não contribuir com mais confusão.

 

É preciso entender, de cara, que estamos vivendo um momento de aceleramento da História do homem sobre a Terra. O que o ex-Presidente Lula disse outro dia, em artigo para o The New York Times — de que os avanços sociais proporcionados por seu governo estão na raiz das manifestações de Junho de 2013 —, é verdadeiro e serve também para clarear um pouco a cena destes dias no planeta.

 

A revolução tecnológica, e de costumes, em curso, está despejando nas ruas sucessivas gerações de seres destituídos (até por ignorá-los) dos antigos medos e resignações que construíram as cabeças e os corações daqueles que hoje ocupam espaços nobres da mídia com opiniões demarcadas por velhos receios.

 

Não são as novas gerações, constituídas por nossos filhos e netos, nem melhores nem piores do que aquelas às quais pertencemos e que nos conformaram. São diferentes, mais rápidas, reativas, dotadas de pensamento mais direto e simplificado, porém capaz de realizar inúmeras relações de causa-efeito em menos tempo do que nós. Pouca dificuldade têm as novas gerações — por exemplo — para identificar a hipocrisia e a incoerência.