Mais uma vez o abominável Delfim

29/05/2017 17:35

O cidadão Delfim Netto, a quem respeito unicamente por seu interesse, em algum lugar declarado, pela antropologia — leia "Vai ser safado assim na casa do pastel" —, publicou na CartaCapital que está nas bancas (nesta que pode ter sido uma das últimas edições da revista de resistência do verdadeiro jornalismo, no Brasil) mais um de seus panfletos em torno de duas de suas teses recorrentes:

y) a defesa cega de suas gestões como ministro das ditaduras militares e, não menos importante,

z) a defesa malandra, porque falaciosa e portanto indígna do intelectual que ele acredita ser, do ofício que vem exercendo desde o final dos anos de chumbo, qual seja, o de consultor de governantes.

Agora, por exemplo, a serviço do sr. Temer (esse corrupto e corruptor confesso, além de traidor, como todos já sabíamos), o cidadão Delfim mistura o cú com as calças para advogar a tese frouxa de que o Brasil vinha se condenando a voltar à condição de colônia, reles fornecedora de alimentos e matérias-primas para o mundo, mercê do que ele aponta como incompetência dos últimos trinta e três anos de governos.

Ou seja, para o cidadão Delfim, tudo o que teria sido 'maravilhosamente conquistado na economia' pelos governos ditatoriais (aos quais ele com alegria incontida serviu) perdeu-se a partir da promulgação da Constituição de 1988, à qual ele atribui todas as mazelas subsequentes, por conta dos compromissos assumidos por esta Carta Magna no sentido da construção da cidadania neste País de cinquentenária exploração.

No referido artigo à CartaCapital, o cidadão Delfim elenca números, cifras, percentuais e raciocínios em defesa da tese de que ele sempre teria estado certo, o mundo é que não lhe ouviu.

Pois bem, não discuto seus números ou argumentos, mesmo suspeitando de que alguns possam estar — quem sabe? — incorretos, ou convenientemente simplificados.

Não é isso o que aqui importa.

O que interessa é que de 1964 a 1985, o tempo que durou a ditadura militar à qual o cidadão Delfim serviu, o Brasil perdeu o passo da História. E perdeu o passo da História porque cidadãos como o sr. Delfim não tiveram hombridade e se colocaram a serviço da interdição do processo de inserção deste País no mundo civilizado.

Alegremente, repito, cidadãos como o sr. Delfim aceitaram transformar o povo brasileiro em mero instrumento de políticas econômicas dependentes, aquelas sim colonialistas, porque não pensaram o Brasil como nação, mas tão somente como linha secundária do poderio norte-americano. O único ditador que, um pouco, saiu desse trilho entreguista foi Ernesto Geisel, mas a este Delfim classifica, astutamente, de "absolutista".

"Absolutista", é provável, porque não entrou na conversa do sempre alegre, sempre de bem com a vida cidadão Delfim Netto.

Mas, agora, o sr. Temer, esse corrupto e corruptor, oportunisticamente entrou.

Entrou nessa conversa fiada a quer, sob os velhíssimos e manjados conselhos do abominável cidadão Delfim, mais uma vez estuprar a cidadania brasileira.

Um e outro são criminosos. Simples assim.