Nada de novo no domingo, 13 de março

14/03/2016 11:43

Vamos descomplicar: o que tivemos no domingo, 13 de março de 2016, em especial no Rio de Janeiro e em São Paulo, foi mais um momento de catarse, semelhante aos que ocorreram no já famoso Junho de 2013. 

Excluindo as tais lideranças do golpe contra Dilma, Lula e o Partido dos Trabalhadores — cujos interesses são inconfessáveis, embora evidentes: querem mesmo é destruir a economia do País e entregar ao capital estrangeiro, de bandeja, as áreas de petróleo, nuclear e da construção civil pesada, entre outras —, tirando essas 'lideranças' traídoras dos interesses estratégicos do Brasil, repito, a grande maioria das pessoas foi às ruas por razões estritamente pessoais.

Nenhum ideologia, zero. 

O que moveu essas pessoas de classe média e média alta foi a revolta de cada um, frustrações individuais aliadas aos mais diversos preconceitos (de classe, gênero, sexualidade, cor etc.). Foi só isso o que as tirou de casa para, juntas, num típico efeito manada, catártico, domingueiro, juntarem-se aos seus iguais em verde, amarelo, azul ou branco... Vermelho, nunca!

Não foi o começo de uma revolução, nem mesmo no plano individual. Elas continuarão sendo os mesmos seres humanos frustrados de anteontem, alienados, desinformados, manipulados, ignorantes do que se passa além da ponta de seus empinados narizes. Mesmo a rejeição aos velhos políticos por alguns não significou grande coisa, foi mais uma forma de se penitenciarem pela incoerência de estarem 'combatendo' a corrupção cercados de tantos corruptos. Esses alguns, digamos assim, ao menos recusaram a condição de otários.

Tentar extrair das manifestações do dia 13 qualquer significado mais profundo é total perda de tempo. E claro que o sr. Moro, lá de Curitiba, já se assanhou em pegar carona na 'marcha'. E cometeu mais um de seus reiterados abusos (vazamentos seletivos, conduções coercitivas indevidas, sequestro de Lula...), quando mandou e-mail a uma jornalista da Globo praticamente antecipando sua candidatura para a Presidência em 2018.

É claro, também, que Renan, Cunha, Aécio, Serra, FHC, Alckmin, Sarney e toda essa trupe bem conhecida, cada um deles movido por seus particularíssimos interesses — nunca coincidentes com os do Brasil — vai se aproveitar do momento de comoção, da "voz das ruas", como disse o sr. Moro, e tentar os mais esdrúxulos golpes contra a Democracia. É claro! Mas vamos esperar os novos lances desses extraordinário jogo de xadrez. Vamos esperar.