Ninguém é punido

09/08/2013 14:28

É criminosa a facilidade com que lideranças de opinião e autoridades tomam decisões que afetam milhões de pessoas; adotam medidas que envolvem recursos imensos, na maioria das vezes provenientes do erário — e, em última análise, dos impostos que a sociedade paga —, sem que haja um sistema de responsabilização eficaz regulando suas ações.

 

Diz-se, argumentando contra a tese de que estamos num processo histórico que levará ao estabelecimento de uma nova prática de democracia, a direta — graças às ferramentas proporcionadas pelas telecomunicações digitais —, que na Grécia antiga a democracia diretamente exercida por segmentos de seus cidadãos implicava, em contrapartida, na responsabilização destes, caso as medidas propostas resultassem em prejuízos sociais.

 

Bom, hoje, nesse simulacro de democracia representativa em que vivemos, temos as ações socialmente danosas, decorrentes de decisões mal planejads, de má execução, de gastos excessivos, e ninguém é punido por isso. Quando muito, se o caso envolver um político, este poderá perder seu mandato na eleição seguinte, embora nem isto seja uma certeza.

 

Dê-se o nome que se quiser dar, mas o fato é que as relações sociais dos tempos que se aproximam deixarão de seguir o formato hoje vigente. A vida em sociedade está cada vez mais complexa e os mecanismos de aferição das medidas postas em prática precisam ser acelerados para uma grande parcela dessas medidas, em especial as relativas às coisas cotidianas, que não implicam em mudanças culturais profundas.

 

As mudanças culturais de profundidade exigem amplas e demoradas discussões, mas, ainda assim, deverão ser submetidas a extensa consulta popular, com o uso das novas ferramentas tecnológicas.