Novos tempos

25/07/2013 14:35

O fato é que, hoje percebemos — e de forma cada vez mais clara —, as igrejas foram construídas sobre as ruínas do homem. A propósito do homem em ruínas, temos nesta quinta-feira a disseminação de um artigo na internet do Brasil cujo objetivo é lançar descrédito sobre a ideia de que estejamos no limiar de novos tempos de participação política, decorrente dos sinais emitidos no contexto das manifestações que ocorrendo em várias partes do mundo, desde 1999, em Seattle, EUA, com organização construída a partir das redes sociais.

 

Arrogando-se o direito de único (ou quase isso) intelectual capacitado a interpretar esses movimentos, o articulista decreta seu desvalor, atribuindo seu protagonismo, de um lado, aos confortáveis filhos da velha burguesia  — os irresponsáveis de sempre, quer ele dizer — e, de outro, aos manipuláveis de todas as épocas — os rebeldes sem causas e sem níqueis, mas com muita libido para gastar. 

 

Interessante, porque emblemática, a análise desse cidadão. É disso — do uso de superados argumentos e antigos truques retóricos — que falam os defensores da ideia de que estamos entrando em novos tempos políticos participativos, à moda da ágora grega.

 

Quando fundamentam sua argumentação em alegados retrocessos provocados, ou a serem produzidos, pelas ondas de revoltas populares, esses ‘professores’ ignoram o fato de que a História se faz para a frente; de que o passado não se repete, jamais. Nem mesmo como farsa, apesar da quase piada atribuída a Karl Marx. 

 

Pensar e argumentar, para esse articulista e formador de opinião, é citar frases e conceitos depositados em livros previamente chancelados pela mesma inteligência que lhe fornece, desde a academia, confortável repertório de ideias e aconchegante guarida, numa época em que precisamos mais do que isto, pois o dinamismo da vida se impõe.

 

Interessante, ainda, porque até o cristianismo, tão resistente a mudanças, parece vir acordando para este momento diverso do planeta, tendo para isso escolhido um novo tipo de papa — menos guardião de mistérios; mais promotor de esperanças fundadas na percepção do valor desse novo ativismo eletrônico. Venha isso a dar no que der, na velocidade que as conjunturas determinarem e não obstante os percalços (ou retrocessos) que se impuserem no caminho.