O radicalismo é o veneno

07/11/2013 14:11

Uma das informações mais relevantes dos últimos dias é o declínio do Tea Party — o segmento mais radical dos conservadores norte-americanos —, apontado pelo economista Bruce Bartlett em artigo publicado pelo The New York Times (reproduzido no Brasil, hoje, pelo jornal O Estado de S. Paulo). Como sempre, a História vai fazendo o seu caminho.

 

Os radicalismos — de esquerda ou de direita — são um componente inevitável do nosso modelo de civilização. Assustam e algumas vezes se transformam em horror, produzindo vítimas silenciosas — caso da destruição do meio ambiente e seus efeitos sobre as pessoas, um dos elementos mais evidentes do capitalismo selvagem — e também holocaustos, como o fizeram os regimes totalitários surgidos no século XX.

 

O Tea Party integra o grupo dos movimentos causadores de vítimas indiscriminadas — e não tão silenciosas assim — mundo afora, pois os efeitos de suas ações não se circunscrevem ao território daquele país, disseminando-se a todos os povos e pessoas impactadas pelas políticas econômicas, sociais e de intervenção militar praticadas por suas lideranças, ou por elas respaldadas.

 

A ideologia que sustenta esse grupo radical de direita se alimenta de uma visão tacanha de mundo, cujas referências estão fincadas nos instintos mais primitivos da nossa espécie: o poder derivado da força bruta (física, econômica, militar, mental) em oposição ao poder construído a partir do convencimento pelo uso da razão; este, sim, o terreno ideal — ainda que utópico — de uma existência plenamente democrática.

 

O apontado declínio do Tea Party poderia estar sendo comemorado com foguetes e brindes, pois afinal é disto que se trata: um novo momento de inflexão na História. Tais demonstrações de alegria só não se realizam porque, em primeiro lugar, a maioria das vítimas dos radicalismos — de direita ou de esquerda — não se dá conta da intrincada relação de dependência psicossocial construída por seus algozes; e, em segundo, porque quem disso tem consciência também sabe que os caminhos da História são tortuosos. Neste nosso modelo de civilização, a possibilidade de recaída está sempre presente.