Os EUA e a China

08/10/2013 14:23

OK, os impérios se constroem pela exploração daqueles países que se colocam sob sua tutela; vivem sua prosperidade e se desfazem deixando para trás um dramático quadro de tragédias sociais, inclusive em seu próprio território. Essa é a lógica que os historiadores nos ensinam, buscando exemplos desde a Antiguidade.

 

Neste exato momento, com os EUA, estaríamos acompanhando o que seria a última etapa de um processo, enquanto uma nova presença imperial, a China, viria se construindo. Tal é a visão de muitos analistas, apontando inúmeros indicadores reais em defesa de sua tese, traduzidos pela expansão das zonas de pobreza dessa nação antes hegemônica, de um lado, e o acúmulo de riqueza nas mãos do Estado, do lado da Ásia, onde se vislumbra a iminência de uma nova supremacia plenetária.

 

Esquecem-se esses analistas, porém, de relativizar este momento da História. Como sempre, não se pode projetar o futuro com base apenas nas experiências do passado. Nem mesmo devemos aceitar os fatos do passado como lições acabadas e congeladas no tempo-espaço, tomando-as como manual de conduta para as nossas ações no presente.

 

Os conhecimentos emprestados pelas chamadas ciências exatas — matemática, física, química etc. — à esfera da vida humana e social, em particular a política, indicam isso. Indicam que a História está em permanente construção; sempre esteve. A cada momento ela incorpora à realidade o dinamismo científico de seu tempo, como parece vir muito bem compreendendo, por exemplo, o papa Francisco, líder dos católicos.

 

Esqueçam essa conversa de que uma coisa substitui a outra. De que uma nação cai e outra se coloca em seu lugar. Não existe queda sem legado. O princípio é o mesmo da destruição que dá origem à construção; da solução que emerge da crise; da invenção que a necessidade produz. Neste exato momento da História do planeta, nem a China constrói uma nova hegemonia, nem os EUA se desfazem. A novidade não está mais nos países, mas nas pessoas.