Putz, Karnal!

11/03/2017 14:21

A página do Leandro Karnal, no Facebook — dizem, porque não a frequento — está hoje repleta de comentários a propósito de seu amigável jantar com o cidadão Moro, em Curitiba. Os comentários que li, reproduzidos no GGN - O Jornal de Todos os Brasis, são educados e certeiros. Não há muito mais o que dizer além do que ali está escrito. E, no entanto, há sempre algo mais a ser dito.

Primeiramente, Karnal não me decepcionou, até porque ninguém mais me decepciona. Só achei engraçado, talvez um pouco esquisito, o sorriso amarelo do notório divulgador de temas filosóficos (tarefa que admiro e até elogio, como aqui fiz: Karnal, Cortella, Pondé), ao ser fotografado ao lado dos tais personagens.

Penso, e o João Itagiba — este sim um professor de Filosofia, do Colégio Canadá, em Santos, SP, nas décadas 60-70 — dizia que a gente não ACHA nada, a gente PENSA, que a coisa aconteceu assim: alguém flagrou o Karnal confraternizando com o Moro e o Karnal, já prevendo a repercussão do engraçado encontro, correu a dar, ele próprio, a notícia, antes que ela aparecesse por aí nos sites de fofocas.

Agindo assim, manteve a iniciativa, passando a ideia de que é um sujeito aberto ao diálogo, que conversa com todo mundo, etcetera e tal. Acontece que o Karnal disse que ama "ouvir gente inteligente". O quê? Não conheço o terceiro personagem da mesa, mas o Moro, Karnal, não é uma pessoa inteligente. E você sabe, ou deveria saber disso.

O Moro, Karnal, é um oportunista medíocre. Ele — tanto quanto inúmeros outros seus contemporâneos da magistratura e das procuradorias federal e estadual brasileiras — é um arrematado ignorante. Talvez em seus anos de faculdade tenha aprendido a se promover, a aproveitar os ventos que sopram a seu favor, a cultivar amizades convenientes para atingir objetivos íntimos, etc. Mas não aprendeu, por exemplo, a ser juiz.

Se tivesse aprendido, não estaria fazendo o que faz, diuturnamente, nesse processo gaiatamente denominado Lava Jato. Não estaria cometendo os crimes que comete contra pessoas. Não estaria destruindo a economia do país onde nasceu. Não estaria contribuindo para o fortalecimento do neofascismo no Brasil.

Não aprendeu a ser juiz e, pior, não aprendeu a ser humano, pois não é capaz de se questionar, de fazer autocrítica, de enxergar a imagem que o espelho lhe mostra todas as manhãs. É apenas mais um carreirista em ação, um desses 'gastões' bafejados pela sorte, que desconhecem o seu lugar no mundo e na vida.

Pois é, Karnal. Como se dizia antigamente, você poderia ter ido dormir sem essa.