Retrato da paisagem brasileira - I

14/01/2017 13:43

São estes os ingredientes do desmonte do Golpe de 2016, que já está em curso:

  • Seus executores (o grupo político que assumiu o poder) são todos corruptos — mesmo as pessoas mais alienadas já estão se dando conta disto;
  • Seus apoiadores internos (mídia familiar, setores do Judiciário e do Ministério Público, lideranças empresariais) têm objetivos corporativos, contrários aos da maioria da população — essa realidade vai se comprovar com o passar do tempo e resultará em severas punições a agentes desses setores;
  • Seus apoiadores externos (corporações multinacionais dos segmentos financeiro, de energia e bélico) não estão nem um pouco preocupados com os interesses estratégicos do Brasil — não há como punir essas corporações, mas, no futuro, muitos dos privilégios obtidos a partir do Golpe poderão ser e serão revertidos;
  • A crise econômica e social que vem se instalando não tem cor nem ideologia, atingindo a todos, indistintamente: começa eliminando os empregos da base e segue seu passo destrutivo para o meio e para o alto da pirâmide — o pânico vai se instalando entre as pessoas;
  • Embora ainda exerça influência sobre os executores do Golpe, a mídia familiar já não detém o domínio da opinião pública, que hoje se informa basicamente pelas redes sociais — nesse ambiente o que prevalece são os testemunhos das pessoas, o relato dos impactos que o Golpe vem produzindo na vida de cada um;
  • Sem liderança confiável, sem um projeto factível de poder e agindo diuturnamente contra os interesses básicos dos cidadãos (aprovando leis que retiram direitos trabalhistas históricos; entregando o patrimônio nacional aos estrangeiros; eliminando as esperanças da juventude), o Golpe perde sua base social, inclusive as parcelas mal-informadas que, de início, lhe deram respaldo nas ruas e nas redes — xeque-mate!

Resta saber a velocidade desse processo.

Tendo em vista a imprevisibilidade das mudanças de humores alimentadas a partir das redes sociais e diante da rapidez com que os meios de comunicação tradicionais já vêm recuando em relação ao apoio antes dado aos executores do Golpe, é possível imaginar uma próxima aceleração, com a decisiva entrada em cena da chamada maioria silenciosa, aquela que só se manifesta quando se sente pessoalmente, fisicamente ameaçada.