Retrato da paisagem brasileira - III

10/02/2017 10:30

Como observei no primeiro texto desta série, é possível uma aceleração da perda da base social ao golpe de Estado perpetrado contra a democracia brasileira com a deposição da Presidenta Dilma Rousseff (sem crime de responsabilidade) por essa corja de corruptos que domina o Executivo e o Legislativo Federal, associada a parcelas acovardadas e/ou deslumbradas do Judiciário e do Ministério Público, bem como à mídia familiar que, desde sempre, exerce a função de cão de guarda dos interesses da plutocracia nacional. Todos a serviço de interesses dos donos do petróleo e das finanças do planeta.

Pois bem, essa aceleração já vem ocorrendo.

Temer, como era de se esperar de um traidor, está cumprindo direitinho o seu script, destruindo as estruturas do País.

E o cidadão comum — aquele desinformado, ou mal informado, que saiu às ruas em passeatas verde-amarelas e foi às sacadas dos bairros nobres bater panelas contra Dilma, Lula e o PT — começa a perceber o tamanho do desastre que ajudou a criar, pois vem perdendo o emprego e entrando no cadastro dos maus pagadores, além de entender que seu futuro (o imediato e o de seus filhos) está seriamente ameaçado pelas mudanças já feitas ou programadas pelo atual desgoverno do que deveria ser a nossa República.

Não esperemos, porém, que esse processo se realize sem dor.

Já vimos que não será assim, pois não é assim que acontecem as mudanças realmente substantivas.

Recentemente, tivemos a primeira vítima evidente dessa tragédia, a sra. Marisa, mulher do Lula. Seu assassinato veio somar-se a centenas de outras mortes anônimas, vítimas de cidades sem policiamento, de presídios rebelados, de suicídios de desesperados, dentre outras desgraças públicas e privadas.

Preparem seus corações e mentes.

Estamos apenas no começo.