Sobraram uns limões... Sempre sobram

07/10/2016 07:50

Que limonada podemos fazer?

Se em países muito mais antigos, da Europa, por exemplo, onde as bases da cultura ocidental foram estabelecidas e o regramento das instituições que conhecemos e adotamos se desenvolveu, se nesses países, que serviram de palco a guerras devastadoras, que aprenderam a superar impossibilidades, se até nessas terras as pessoas estão hoje na resistência, em busca de caminhos para a Democracia, tateando em meio à escuridão pesada deste começo de século — vide o movimento DiEM25  —, o que dizer da América Latina e do nosso Brasil, desde sempre reles fornecedores de riquezas minerais e agora também de alimentos para o mundo?

Lula e seu (nosso!) projeto de construir um País altivo, norte de um novo tempo de humanidades e renascimentos, encontra-se afinal abatido pelas forças do velho obscurantismo. Não nos iludamos, esse jogo terminou e nós perdemos. Resta-nos saber quantos e quais mortos ficaram para trás, para que possamos pranteá-los pelo tempo que esse lamento se fizer necessário. E, no entanto (pois também ganhamos), o grande jogo continua. Porque é contínuo e se rearranja a todo momento, como descobriu a dialética de Hegel.

O desafio posto é mais uma vez, e sempre, a perseguição eterna do novo, do fio do novelo civilizatório que volta e meia nos escapa e parece perdido, mas que não está. Melhor dizer com as palavras de quem estudou isso com mais método do que eu, Cid Marcus, em "Anotações sobre o absurdo na Literatura", por exemplo:

"...só através de um compromisso, do seu compromisso, poderá o homem chegar à essencialidade. Em O Existencialismo é um Humanismo, Sartre esclarece este ponto ao afirmar que o homem é ação e que ele só existe enquanto realiza o seu projeto. Não estando determinado por nada, cada indivíduo é o que faz de si mesmo, tornando-se assim responsável pelo que é. O homem, por isso, nada mais será do que o seu próprio do projeto."

No que isso nos conforta? Em nada, se nos circunscrevermos aos limites do hoje e de nossa própria existência. Em muito e em tudo, se vislumbrarmos o conjunto das ações humanas. É, meus amigos e amigas, a luta continua e sempre continuará. Este é o desespero das forças da reação. Elas sabem que não passarão. Não passarão!