Venha para a planície, seu Barbosa

28/11/2013 13:55

Acho ótima essa ideia que circula nos meios políticos e nas redes sociais em defesa da candidatura do seu Joaquim Barbosa à Presidência da República. Venha, sim, seu Barbosa. Venha para a planície. Largue a sua vistosa toga e venha combater aqui em campo aberto, junto com os reles mortais. Abdique da proteção que lhe confere o cargo no STF, instituição hipertrofiada de uma democracia que o sr. não ajudou a construir; ao contrário, está fazendo de tudo para desmoralizar.

 

Sou, sim, a favor de que esse sujeito que o Lula, inadvertidamente, nomeou para o Supremo Tribunal Federal assuma a vaga de candidato da direita brasileira nas próximas eleições presidenciais. Ele merece, fez por merecer. Não há ninguém, no Brasil de hoje, que mais encarne, de forma até irônica, o pensamento e as práticas dos violentos feitores a serviço dos senhores de Engenho.

 

As atitudes do seu Barbosa (e de seus coadjuvantes, por ação ou omissão) se assemelham às daquele personagem emblemático da mais recente obra-prima de Quentin Tarantino, o Stephen, brilhantemente interpretado por Samuel L. Jackson. Stephen é o eixo do filme Django Livre (Django Unchained), encarnando a figura humana mais desprezível que possa existir, aquela que se põe a serviço dos históricos algozes de sua raça e origem social, fazendo isso com maestria, inteligência e, principalmente, crueldade.

 

O sr. Barbosa é assim; tem sido esse homem.

 

Para conquistá-lo, seus históricos algozes não precisaram dar muitos tratos à bola: apenas lustraram sua vaidade, expondo-o nas iluminadas vitrines dos meios de comunicação; rasgando-lhe sedas e elogios superlativos; cultivando sua vanglória através de pesquisas de opinião engenhosamente orientadas para que dêem os resultados que costumam dar.

 

Pois bem, seu Barbosa, faça isso; venha para a planície. Aliás, só lhe resta esta saída: vir para a planície, pois do jeito que o sr. vem se comportando à frente do STF e do CNJ, haverá um dia ― decerto não muito distante ― em que até mesmo aos seus algozes apoiadores de hoje só restará conformarem-se com a sua queda. Melhor seria que o sr. se recolocasse diante da vida. Nunca é tarde, mas é preciso coragem. A verdadeira coragem.