No fio permanente da navalha... O que fazer?!

05/09/2017 10:00

Sei que pareço contraditório. Num momento vislumbro saídas; noutro demonstro ceticismo quanto à nossa capacidade de construir um futuro...

Bom, é o preço que pago por fazer parte da minha espécie.

Não sou mineral, não não sou vegetal.

Sou animal e penso ser ao menos em parte racional.

E assim sendo, uso minha parcela de razão para absorver conhecimentos acumulados e pensar sobre o que outros antes de mim propuseram a respeito do significado do homem no espaço que ocupa(o) e no tempo que existe(o).

O resultado é que não acredito na capacidade do ser humano de erguer-se a si próprio, puxando os próprios cabelos. Mas acredito que as circunstâncias psíquicas, intelectuais, sociais e ambientais (meteorológicas, inclusive) são capazes de acender chamas de mudanças, internas ou coletivas.

Desacredito do homem, de seu poder de desenvolver determinação metódica em favor de um projeto de mudança, mas acredito no potencial do homem de promover uma tal mudança frente ao imponderável que lhe está posto.

Por isso, ponho fé no poder do ensino da Filosofia.

Penso que precisamos nos colocar, já na pré-adolescência, diante das perguntas fundamentais da vida humana (O que somos? De onde viemos? Et cetera). Essas questões (desde que não intermediadas pela fuga proposta pelas religiões) têm o condão de esvaziar nosso ímpeto ascentral à prepotência.

Armados dessas dúvidas fundamentais, colocados sobre o fio permanente da navalha, estaremos prontos para diluir em nossas mentes — e, quem sabe, um dia dominar — os medos que, desde os primórdios da espécie, nos impedem de avançar na busca da imprescindível maioridade.

É simples, assim. Embora, reconheço, seja muito difícil.