E agora com vocês, senhoras e senhores, a neoDITADURA!

11/10/2017 11:45

A invasão da casa de um filho de Lula na última terça-feira, a pretexto de busca por drogas — Invasão da casa do filho do Lula: ditadura meganha nem disfarça mais —, demonstra que o Brasil acelera o passo rumo à completa e definitiva instalação da neoDITADURA antecipada por George Orwell no livro "1984", analisada por Aldous Huxley numa entrevista de 1958 — Totalitarismo de Mercado, a 'evolução' que Huxley não previu — e explicada em detalhes por Zygmunt Bauman no livro "A sociedade líquida" — Nosso tempo é um tempo de covardes?

Orwell e Huxley só se enganaram de endereço (Bauman menos).

A neoDITADURA não veio do Totalitarismo de Estado, mas do Totalitarismo de Mercado a que estamos submetidos desde o advento da sociedade de consumo de massas, pós-II Guerra Mundial, e que neste século XXI vai conquistando sempre novos patamares de sofisticação.

O Totalitarismo de Mercado operacionaliza a tudo e a todos, inclusive o Estado, suas instituições e recursos.

Se aqui neste Brasil o alvo é destruir Lula e tudo o que esse cidadão possa representar de ameaça aos interesses do Mercado, tudo é permitido para desestabilizá-lo.

A palavra de ordem é: Delenda Lula!

Como foi, outro dia, Delenda Dilma!

E como já vem sendo, há muito tempo: Delenda! qualquer sujeitinho que possa atrapalhar o passo largo dessa novíssima forma de fascismo.

A próxima etapa, já em pleno curso, é transformar toda pessoa em suspeita, até prova em contrário (se houver interesse para isso, ou se o sujeitinho vier a capitular).

Depois, muda-se a Constituição, adaptam-se as leis (mediante elaboradíssimas justificativas), para agasalhar como 'legal' a negação do que sempre foi (desde a Declaração Universal dos Direitos do Homem, em 1948) uma das medidas da civilização e das sociedades democráticas: a presunção da inocência.

Atenção, cidadãos de todos os extratos sociais: ACABOU A CIDADANIA!

Ou, como disse Gilberto Gil, em1967, com seu "Lunik 9", a propósito da perda de outras inocências:

Poetas, seresteiros, namorados correi/É chegada a hora de escrever e cantar/Talvez as derradeiras noites de luar...