Entenda o Lula

09/06/2018 13:13

As pessoas não entendem (ou entendem mal) a posição adotada por Luiz Inácio Lula da Silva, desde que se consumou o golpe parlamentar-judicial-midiático (em favor de interesses externos) contra a presidenta honesta Dilma Roussef, há quase dois anos.

Já disse aqui, em outro texto — A tranquilidade de Lula —, que nunca estive com ele, embora acompanhe suas ações desde as greves do ABC Paulista, nos anos 70 do século passado. Sou, portanto, mero observador da história que se desenrola à minha volta, situando-a no contexto internacional.

Feita essa ressalva, entendo que Lula não está verdadeiramente empenhado em ser "o" candidato à Presidência da República nas eleições deste ano.

Quando ele reafirma sua candidatura, defende o direito de concorrer (porque, afinal, o processo que levou à sua condenação é uma farsa) e pede que seus apoiadores mantenham acesa esta luta, o que Lula objetiva é, na verdade, ampliar e consolidar o espaço progressista frente à sempre presente ameaça da direita. Por isso, entre outras coisas, que Lula não fugiu para uma embaixada e se recusou a resistir à prisão absurda que lhe foi imposta.

Este é o seu segundo intento.

O primeiro é viabilizar a própria eleição de 2018, mas não uma eleição ideologicamente frouxa, como seria se Lula desde sempre tivesse jogado a toalha e optado por designar um sucessor de dentro ou de fora do Partido dos Trabalhadores.

Essa eleição ideologicamente frouxa (ou seja, condescendente com as reformas ditas ultraliberais e com a entrega do Brasil aos interesses externos) é aquela que se daria caso Lula se recusasse a exercitar o (seu) poder de manter tensionada a corda do embate progressismo x obscurantismo.

A volta de Lula é o pior cenário que a direita entreguista pode imaginar. Por isso mesmo Lula mantém acesa a chama da sua candidatura. Ele sabe que lá na frente, na hora H, mesmo que consigam estuprar um pouco mais e mais fundo a Constituição e a institucionalidade desta República, a IDEIA que seu nome hoje representa estará tão consolidada na opinião pública nacional que quem vier a ser eleito não terá outra saída senão implementar um amplo programa de reconstrução do País.

Desta forma, senhoras e senhores, agindo desde o cárcere que lhe impuseram na masmorra de Curitiba, Lula já governa e governará o Brasil. No presente, com sua resistente e persistente candidatura, governa o debate que se desenvolve nos gabinetes e nas ruas; no futuro, governará através daquele, ou daquela, que vier a ser eleito(a). Seja ele ou ela de dentro ou de fora do PT.

Esta é a chave para entender Luiz Inácio Lula da Silva.

Dito isto, repito:

Xeque-mate, filhos da puta!