Imersos na loucura

24/02/2018 16:11

Em 9 de agosto de 2017, frente à soberba desses que patrocinaram e perpetraram o golpe de Estado contra o Brasil, com a derrubada da presidente honesta Dilma Rousseff em 2016, publiquei o texto É impossível cavalgar o Caos.

No 3º dia deste novo ano, diante da falência total e completa das instituições desta nação, escrevi Repito, é impossível cavalgar o Caos.

Hoje, constato que o Caos atingiu um novo patamar: estamos sob o império da loucura (aqui e por todo o canto, pois o fenômeno não é só brasileiro).

Neste ambiente perturbado onde os desvarios individuais se projetam sobre a vida social concreta, cotidiana, os absurdos passam a ser aceitos como normais, desdobrando-se em novos desatinos que, por sua vez, logo são normalizados.

É como se a loucura, já sem nenhum controle, gerasse seus próprios disparates, restando às pessoas e ao conjunto da sociedade a mera condição de personagens cegos e surdos, sem nenhum conhecimento ou poder sobre o que lhes é dado a representar.

É por isso que a cada dia, hora e minuto nos deparamos com novas manifestações de insanidades, a maioria originária dos mais elevados escalões institucionais do Estado (daqui e de todos os lugares), sem que isto nos choque e provoque efetiva reação.

A tudo aceitamos, porque estamos imersos num caldo de aberrações.

E nesse estado de paroxismo nada mais surpreende, a ninguém.

Nada comove.

É o fim da empatia.

Toda inversão é admissível, qualquer negação é aceitável. E não porque sejamos hoje mais tolerantes, mas porque não somos agora mais capazes de acompanhar essa novíssima realidade.

Onde não há mais lógica.

Onde os efeitos já não correspondem a causas determinadas.

Onde qualquer motivo, por mais fútil, é capaz de se transformar em fato gerador de um macro evento catastrófico. E ninguém se importará em buscar justificativas, explicações, soluções.

Não há mais tempo.

Quando a loucura se instala no processo civilizatório, é como se o átomo da coerência entrasse em colapso.

Estamos à procura de um fim.